segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Rua das Histórias - #4 - Morte Sigilosa


 Any suspira, e tenta manter-se firme, sem chorar.. Sabe que pode contar com ele, com o Garotinho, pois mais que uma vez, provou a ela sua amizade, uma amizade verdadeira e leal, que já passou por muitas provas, e desafios, mas sempre no fim, a lealdade e o amor um pelo o outro prevalecia e eles se mantinham unidos e fortaleciam cada vez mais essa bela amizade, que ela não sabia, mas com o tempo soube, que poderia contar com ele, mas não para sempre!




 Any então começa a contar: “ - Bom, eu estava lembrando de algumas coisas.. Coisas terríveis. Coisas que a Rua não deixa eu esquecer. É como um pesadelo ambulante, ao qual fico livre as vezes, quando durmo, mas quando estou acordada, esse pesadelo vem me atormentar, e eu não sei como fugir, só chorar e chorar.. Mas quando eu te vi, foi como algo dentro de mim, uma luz branca levando toda a escuridão para fora, fiquei logo feliz, você sempre me anima, me deixa melhor.”

 “Mas Any, o que você estava pensando então ? Do que lembrou? ” – Pergunta o Garotinho.

 Any tenta respondê-lo: “ – Eu lembro como se fosse ontem, ou hoje mesmo... Eu o vi lá, estava me esperando, eu fui correndo em direção à ele, e de repente ele coloca a mão no peito, eu o vejo caindo no chão, sem saber o que acontecia... Corri e cheguei até ele, o chamava, mas nada, ele não respondia. Estava quase na porta de casa, gritei chamando minha mãe e meu pai por socorro, eles vieram correndo, assustados. Meu pai ligou para a emergência, eu estava tão nervosa, apavorada, o que aconteceu com meu irmão?

 Logo que a ambulância chegou, colocaram ele na maca, e já saíram para o hospital, eu não sabia o que pensar, o que fazer, meu irmão ia ficar bem? O que aconteceu? Ele estava só me esperando, por que ele caiu no chão e não me respondia? ...

 Depois disso, entrei com minha mãe, ela e meu pai pegaram algumas coisas e fomos até o hospital. Quando chegamos lá, fiquei esperando com minha mãe, eu ainda estava chorando, muito assustada, nisso, ao falar com o médico, vi meu pai caindo, se arrastando na parede, vi o rosto dele de tristeza, de choro, minha mãe logo começou a chorar e foi lá com meu pai, eu já pude perceber, algo de muito ruim aconteceu, mas o que? Meu irmão? Onde ele está?

 Minha mãe volta, e me diz, me conta uma notícia que até hoje, não consigo suportar, não consigo viver sem um dia lembrar, sem um dia a Rua me atormentar... Ela conta que meu irmão morreu. Eu pergunto o motivo, o porque, ela diz que o coração dele parou de bater.

 Eu já estava chorando, arrasada, e muito triste, desolada, com essa notícia, meu coração agora batia tão forte, que parecia saltar de meu peito, o rasgando, como já estava rasgado com essa minha perda, com essa notícia, com esse fato... Meu coração estava tão aflito, tão machucado, não sabia o que falar, fazer, o que sentir.. Como seria minha vida agora sem ele?

 Eu só chorava e chorava.. Como poderia viver, sem ele ali comigo, para me ensinar, me esperar da escola todos os dias? Sem ele para me ajudar nos deveres, para brincar sempre comigo, para sair comigo, para comermos juntos? Como um amor tão grande, que eu tinha por ele, pode assim, de uma hora para outra acabar? Não pode! Não é justo! Eu tentava falar em meio ao choro: “ – Mãe! Ele não pode ir embora, como eu vou viver sem ele ? Eu não posso, eu não posso! Mãe! ... “

 Só sei que depois de chorar muito, eu vi um menininho, vindo em minha direção, um garotinho, e ele me entregou uma flor, um “Copo de Leite”. Lembro até hoje, tão branca, tão bonita, era de uma paz tão intensa, que fez eu me acalmar, reluzia tranquilidade, a calma que essa flor, e o sorriso desse garotinho me passou, penetrou bem fundo em mim, que na hora, meu choro parou, fiquei aliviada, apreciando o belo presente que você me deu.”

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 Após Any contar o motivo de seu choro, o Garotinho novamente sorri para ela e diz:

 “ – É Any, você estava precisando de ajuda naquela hora, e eu estava com aquela flor tão bonita, com um significado que era tudo que você precisava, paz, pureza, tranquilidade, calma. Sabia que eu tinha que fazer algo por você, não sabia o que tinha acontecido na hora, mas você estava chorando, não podia deixar assim. E eu fico feliz que você tenha gostado da flor. Mas Any, isso já faz tanto tempo...”

 “ – Faz, mas eu não esqueço! Nunca vou esquecê-lo! Você não entende? ” Disse Any.

 “ – Eu te entendo sim, não estou dizendo para você esquecê-lo, estou dizendo para você não sofrer mais por isso, você já lidou, já venceu essa dor, mas a saudade sempre restará no seu coração, mas você deve seguir em frente, deve esperar o dia para ver ele novamente, sei que o verá, você também estará lá, e o abraçará! Mas Any, agora você precisa ser mais forte que a Rua, que as lembranças, eu estou com você, sempre vou estar! ... Agora vamos comer alguma coisa! Logo você precisa voltar para sua casa! ” Disse o Garotinho.

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 Any se levanta, e sua mente fica boa, seus pensamentos em ordem, ela se vê novamente no mundo normal dela, um mundo tranquilo, de paz, vivendo feliz com seu passado, e seu presente, e a espera um futuro maravilhoso. Além desses significados, o Copo de Leite é uma planta tóxica, mas em qual parte ou acontecimento há a toxina?

 Any tenta se recordar de mais alguma coisa naquele dia horrível no hospital, ao qual seu irmão morreu, ela se lembra de uma palavra. Que palavra seria essa? E a quem está relacionada?


... (continua)

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